quarta-feira, 28 de março de 2012

Como funciona a Taser, a arma não letal, que já matou centenas


A Taser dispara dardos que aplicam pulsos elétricos de 50 mil volts à pessoa atingida

São Paulo - A morte do estudante brasileiro Roberto Laudísio Curti, de 21 anos, depois de levar quatro tiros de Taser da polícia australiana, chamou atenção para essa arma eletrostática. Descrita como “menos letal” pelo fabricante e frequentemente chamada de “não letal” no Brasil, ela vem produzindo baixas em várias situações. Outra morte aconteceu no último domingo, em Florianópolis. Carlos Barbossa Meldola, de 33 anos, morreu depois de levar um tiro de Taser da polícia local.

A Taser International, que fabrica a arma, vendeu mais de 600 mil unidades em 107 países. A empresa diz que já foram feitos 2,9 milhões de disparos de Taser, sendo 1,5 milhão em conflitos reais e o restante em treinamentos. A cada dia, 900 pessoas são alvejadas por essa arma no mundo. No Brasil, estima-se que existam 15 mil armas desse tipo. A maioria pertence a polícias municipais e estaduais.

Nos Estados Unidos, uma Taser C2 – modelo para uso pessoal com alcance de 4,5 metros – pode ser comprada por 400 dólares. Qualquer cidadão americano pode adquiri-la desde que não tenha ficha criminal. Naquele país, já foram registradas cerca de 520 mortes por tiros de Taser desde 1999. Quando confrontado com esses números, o fabricante argumenta que muito mais pessoas teriam morrido se armas de fogo tivessem sido empregadas no lugar delas.

Erro mortal

No caso de Roberto Curti, houve um erro óbvio dos australianos. A Taser é capaz de imobilizar uma pessoa com um único tiro sem produzir ferimentos graves. Mas se torna mortal quando múltiplos disparos atingem alguém simultaneamente. Não é a primeira vez que algo assim acontece. Em 2007, em Vancouver, no Canadá, um homem foi morto pela polícia ao receber cinco tiros de Taser.

Já a causa da morte de Carlos Meldola, em Florianópolis, só vai ser determinada com exatidão após a perícia. Segundo os policiais, essa é a primeira morte provocada por uma Taser em Santa Catarina. Cerca de 200 disparos desse tipo de arma já foram feitos pela polícia no estado.

A Taser foi inventada por Jack Cover, um ex-pesquisador da NASA, que começou a desenvolver a tecnologia da arma em 1969 e obteve uma série de patentes sobre ela. O primeiro modelo começou a ser vendido em 1974. Quando o gatilho de uma Taser é acionado, dois projéteis são disparados. Nos modelos atuais, uma mira a laser ajuda na pontaria. À frente de cada projétil há um eletrodo pontiagudo, que penetra no corpo da pessoa alvejada.

Cada projétil é ligado à pistola por um fio. A arma produz pulsos elétricos que se propagam pelo fio, chegando ao projétil e ao corpo da pessoa alvejada. As descargas elétricas de 50 mil volts da Taser interferem na comunicação entre o cérebro e os músculos. A pessoa tem contrações musculares intensas, que a deixam incapacitada.

Nas armas de uso oficial, os pulsos elétricos são aplicados durante 5 segundos. É o suficiente para que o policial possa algemar a pessoa ou imobilizá-la de outra forma. Já em alguns modelos criados para autodefesa, o tempo é 30 segundos, para que o autor do disparo possa fugir de um agressor antes que ele se recupere. Quando os pulsos terminam, a pessoa atingida readquire o controle muscular, mas tende a ficar desnorteada pelo choque durante alguns minutos.

As primeiras Taser usavam explosivos para propelir os projéteis. Já os modelos atuais empregam nitrogênio comprimido para isso – um sistema similar ao das velhas espingardas a ar comprimido. Os dois projéteis, os fios elétricos e a cápsula com o nitrogênio são embalados num cartucho descartável.

Na maioria das armas eletrostáticas, cada cartucho é suficiente para um único disparo. Para atirar novamente, é preciso substituí-lo. Mas existe pelo menos um modelo, a Taser X3, que permite dar três tiros sem recarga. Armas eletrostáticas vendidas para uso civil nos Estados Unidos normalmente têm alcance de 4,5 metros. Já os cartuchos para uso oficial chegam a 10,6 metros.

Em muitos países, as Taser usadas pela polícia são amarelas para evitar que, no calor da ação, sejam confundidas com as armas de fogo (o fabricante também produz modelos de outras cores, incluindo cor-de-rosa). É um tipo de confusão que já resultou em várias mortes nos Estados Unidos. Para evitá-la, os policiais americanos seguem uma série de recomendações, como sempre transportar a Taser no lado esquerdo do corpo, enquanto a arma de fogo fica à direita.

Câmera na arma

Sem o cartucho com os projéteis, a Taser ainda pode ser usada para aplicar um choque elétrico em alguém. Mas, para isso, é preciso aproximar a arma da pele da pessoa. Esse modo de operação não imobiliza a pessoa, mas provoca dor intensa, o que pode facilitar a tarefa de dominá-la. Algumas polícias empregam armas eletrostáticas que possuem uma pequena câmera acoplada. A câmera filma a ação dos policiais, permitindo entender, depois, o que aconteceu. É um recurso que provavelmente não seria apreciado por alguns policiais australianos.


Fonte: Info

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